Inflação das flores é sete vezes maior que a média

 

SÃO PAULO - Os preços das flores subiram 15,14% desde o início do ano, sete vezes mais que a média dos preços na cidade de São Paulo, que ficou em 2,24% no período segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe).

Apesar da alta acima do normal, os comerciantes de flores esperam grande movimento por causa do Dia de Finados.

A data que homenageia os mortos é a terceira em vendas de flores, ficando atrás apenas do Dia das Mães e do Dia dos Namorados.

A diferença é que no Dia das Mães e dos Namorados as flores mais procuradas são as de corte, como as rosas e girassóis, e no Dia de Finados as mais vendidas são as de vaso.

Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), onde funciona o maior mercado de flores do País, o movimento deve crescer entre 5% e 10% neste Dia dos Mortos.

As vendas de flores no local giram em torno de 5 mil toneladas por mês, o que significa um faturamento de R$ 30 milhões. Desde o início do ano as vendas já somam R$ 270 milhões na Ceagesp.



Crisântemos.
Uma flor em especial ganha destaque nesta época do ano: o crisântemo, tradicionalmente associado à morte e utilizado em funerais e sepulturas.

"As vendas de crisântemo aumentam três ou quatro vezes mais", estima o vendedor William Owa, que trabalha na Ceagesp.

O vendedor Denílson Domingues de Almeida, dono de uma banca de flores em frente ao Cemitério do Araçá, em São Paulo, afirma que as vendas de crisântemo aumentam "quase 1000%" na época de Finados. O vaso de crisântemo custa entre R$ 2,50 e R$ 4,00 na Ceagesp. Nas floriculturas da cidade, o preço varia entre R$ 10 e R$ 20, conforme o tamanho.

Ao longo do ano, o crisântemo é somente a quarta flor mais comercializada na Ceagesp. Só este ano, as vendas da flor chegaram a R$ 14,6 milhões na Ceagesp. As vendas de rosas somaram R$ 45,6 milhões, as orquídeas R$ 37,9 milhões e o lisianthus R$ 19,3 milhões.

Outras flores requisitadas no Dia de Finados são o gladíolo e a violeta. Na Ceagesp, elas são vendidas a R$ 20,00 por 20 hastes (ou R$ 1 por haste) e entre R$ 1,50 e R$ 2,00 por vaso.

As vendas de flores na Ceagesp começam a partir das 5 horas e vão até as 10h30. Diariamente, frequentam o local entre 5 mil e 8 mil pessoas.

Extinção das floriculturas. Os vendedores de flores reclamam da concorrência dos supermercados, que eles consideram 'desleal'. O Sindicato do Comércio Varejista de Flores e Plantas Ornamentais do Estado de São Paulo (SindiFlores) acredita que essa competição tende a provocar a extinção do comércio de flores. "Daqui a uns 15 anos, a atividade será quase como o ofício de sapateiro", afirma Marco Martinho, gerente do sindicato. 

De acordo com o representante do setor, os grandes estabelecimentos comerciais utilizam as flores como marketing e muitas vezes as vendem abaixo do preço que compram.

"As flores não entram na conta do lucro dos supermercados, mas sim na conta do marketing. Eles as colocam na entrada, o que cria um ambiente agradável e familiar", afirma Martinho

Para o gerente do Sindiflores, os consumidores brasileiros importaram a cultura norte-americana de comprar tudo no supermercado. "A pessoa compra arroz, feijão e aproveita para comprar flores", afirma.

"A flor tem dificuldade em ganhar produtividade em larga escala, o que limita a oferta. Por isso ela não está mais tão presente na vida dos brasileiros e concorre com outros produtos", diz.

O vendedor de flores Clóvis Vitorino Santos acha que o brasileiro também está deixando de lado a tradição de levar flores aos parentes mortos no Dia de Finados. "Antigamente a procura por flores nesta época crescia muito mais, mas parece que o pessoal não está sentindo mais aquele calor para mandar flores para os falecidos", comenta.